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    O GATO E A RAPOSA


    Mino Carta

    O mundo está em crise, as razões estão diante dos nossos olhos, escancaradas. A causa recente remonta a menos de três anos atrás, quando foi declarada a falência do neoliberalismo, criminosa e tresloucada invenção pela qual em vez de produzir bens e serviços o homem passa a fabricar dinheiro.


    A raposa e o gato são os inspiradores do neoliberalismo e muitos entre nós, habitantes do globo terráqueo, somos herdeiros de Pinóquio, capaz de acreditar que moedas são sementes de árvores de florins, sertércios, coroas, dracmas. Se quiserem, dólares, euros, reais. Verificou-se no fim de 2008 que não é bem assim, nem por isso a raposa e o gato sofreram o merecido castigo. Castigo? Nem mesmo foram afastados dos seus postos de comando da especulação desenfreada.


    Já citei neste espaço, e mais de uma vez, o documentário Inside Job, premiado com o Oscar no começo deste ano. Obra-prima do melhor jornalismo, penetra nos gabinetes acarpetados dos senhores do poder de Tio Sam e exibe, instalados na sala dos botões decisivos, a raposa e o gato. Tranquilos, têm explicações para tudo. Impávidos, me arriscaria a dizer.


    Agora a crise recrudesce. Surpresa? Quando Pinóquio chegou ao local em que havia enterrado sua moeda, encontrou um buraco em lugar da árvore sonhada. Só mesmo ele para se espantar. Não é lícito que arregalemos os olhos. Tampouco os senhores do mundo diante de sua própria, irresponsável hipocrisia. Repito, e sublinho: criminosa.


    Falei da causa recente. Há outra, cevada décadas afora, política e social. E por ela somos todos culpados, não somente a raposa, o gato e um boneco de pau. Globalizamos, com empáfia e jactância, os piores defeitos do homem. De um lado, preconceito, ganância, prepotência, crueldade. De outro, a resignação, às vezes ignara, do mais fraco. Globalizamos a lei da selva.


    Leio em La Repubblica o magistral artigo de um dos maiores jornalistas italianos, Eugenio Scalfari, fundador do jornal e, antes dele, do semanário L’Espresso, também chamado como conselheiro, à época da fundação posterior, do El País. Recorda uma entrevista de Enrico Berlinguer, grande figura do comunismo italiano e mundial, realizada há exatos 30 anos.


    Ponto central da entrevista, recorda Scalfari, foi a seguinte frase de Berlinguer: “A questão moral não se exaure no fato de que, em havendo ladrões, corruptos e concussores nas altas esferas da política e da administração, torna-se necessário identificá-los denunciá-los e prendê-los. A questão moral (…) coincide com a ocupação do Estado por parte dos partidos da maioria”. E mais adiante: “A partir do governo, os partidos da maioria ocuparam o Estado e todas as instituições (…) as empresas públicas, as autarquias, os institutos culturais”.


    Na ocasião de uma pergunta incômoda, o líder comunista admitiu que por não ter sido governo, seu partido ganhara uma espécie de salvaguarda ao lhe faltar a oportunidade de roubar. O tempo mostraria que os herdeiros do PCI, atingido o poder, não deixariam de se portar como os demais. Haverá quem diga: eis aí, é também a história do PT, o partido que esqueceu os trabalhadores.


    É e não é, pelo simples fato de que, no meu entendimento, o Brasil não pode ser medido pelo metro do chamado Primeiro Mundo rebaixado a uma ignorada divisão. A questão moral é certamente a origem da crise mundial, o big-bang de um enredo trágico, a decorrer do fracasso dos princípios e dos valores, de sorte a empurrar o planeta no sentido do mais arraigado obscurantismo conservador.


    Vendeu-se a ideia do definitivo enterro da ideologia como se a assertiva não fosse, ela própria, ideológica. Sim, o socialismo real malogrou clamorosamente por ter desaguado em tirania, e, como diz Scalfari, “de esquerda ou de direita, a cor da tirania é postiça”. As esquerdas não lograram sair do atoleiro, a resistência que haviam representado feneceu, os partidos perderam sua razão de ser. A reação é a da negação da política, “reação doentia, anarcoide, exposta a todas as tentações”, define Scalfari.


    O Brasil vive uma ambivalência. A crise não nos exclui, não somos a ilha de prosperidade cantada pelo ditador Geisel quando do primeiro choque do petróleo. Ao mesmo tempo, recomendo observar que não passamos pela Revolução Francesa. Os nossos partidos foram clubes recreativos dos donos do poder, com exceção do PT, que acabou por trair suas premissas. O desequilíbrio social enfim globalizado por aqui é vetusto e endêmico. Donde a diversidade. De todo modo, receio que gatos e raposas continuem a mandar no jogo. Onde quer que os olhos alcancem.



    Escrito por walmir às 23h36
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    QUE A CORTE DE HAIA FIQUE ATENTA

    Aos 63 anos a ministra Ellen Gracie, do Supremo, vai se aposentar.

    Ela poderia ficar até 2018 no cargo, mas está querendo vaga no Tribunal Penal Internacional, das Nações Unidas, que julga crimes contra a Humanidade.

    Como?

    Ela votou com a maioria do tribunal quando anistiaram a Lei da Anistia no Brasil, oras.

    Como é que agora ele vai defender punição de torturadores terríveis pelo mundo afora, como os de Ruanda ou da Sérvia, depois que aqui perdoou o coronel Ustra.

    Aqui também ela escorregou feito sabonete recusando-se a abrir os discos rígidos encontrados com o banqueiro Daniel Dantas, sabe-se lá por qual motivo.

    E agora quer assento na Corte de Haia.

    Ainda bem que foi reprovada no primeiro exame que fez pra lá.

    ESTE BLOG TEM LADO. FICA À ESQUERDA

     



    Escrito por walmir às 14h58
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    O TERRORISTA DE OLHOS AZUIS

    Frei Betto

    Preconceitos, como mentiras, nascem da falta de informação (ignorância) e excesso de repetição. Se pais de uma criança branca se referem em termos pejorativos a negros e indígenas, judeus e homossexuais, dificilmente a criança, quando adulta, escapará do preconceito.

    A mídia usamericana incutiu no Ocidente o sofisma de que todo muçulmano é um terrorista em potencial. O que induziu o papa Bento XVI a cometer a gafe de declarar, na Alemanha, que o Islã é originariamente violento e, em sua primeira visita aos EUA, comparecer a uma sinagoga sem o cuidado de repetir o gesto numa mesquita.

    Em qualquer aeroporto de países desenvolvidos um passageiro em trajes islâmicos ou cujos traços fisionômicos lembrem um saudita, com certeza será parado e meticulosamente revistado. Ali reside o perigo... alerta o preconceito infundido.

    Ora, o terrorismo não foi inventado pelos fundamentalistas islâmicos. Dele foram vítimas os árabes atacados pelas Cruzadas e os 70 milhões de indígenas mortos na América Latina, no decorrer do século 16, em decorrência da colonização ibérica.

    O maior atentado terrorista da história não foi a queda, em Nova York, das torres gêmeas, há 10 anos, e que causou a morte de 3 mil pessoas. Foi o praticado pelo governo dos EUA: as bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945. Morreram 242.437 mil civis, sem contar as mortes posteriores por efeito da contaminação.

    Súbito, a pacata Noruega – tão pacata que, anualmente, concede o Prêmio Nobel da Paz – vê-se palco de dois atentados terroristas que deixam dezenas de mortos e muitos feridos. A imagem bucólica do país escandinavo é apenas aparente. Tropas norueguesas também intervêm no Afeganistão e deram apoio aos EUA na guerra do Iraque.

    Tão logo a notícia correu mundo, a suspeita recaiu sobre os islâmicos. O duplo atentado, no gabinete do primeiro-ministro e na ilha de Utoeya, teria sido um revide ao assassinato de Bin Laden e às caricaturas de Maomé publicadas pela imprensa escandinava. O preconceito estava entranhado na lógica ocidental.

    A verdade, ao vir à tona, constrangeu os preconceituosos. O autor do hediondo crime foi o jovem norueguês Anders Behring Breivik, 32 anos, branco, louro, de olhos azuis, adepto da fisicultura e dono de uma fazenda de produtos orgânicos. O tipo do sujeito que jamais levantaria suspeitas na alfândega dos EUA. Ele "é dos nossos", diriam os policiais condicionados a suspeitar de quem não tem a pele suficientemente clara nem olhos azuis ou verdes.

    Democracia é diversidade de opiniões. Mas o que o Ocidente sabe do conceito de terrorismo na cabeça de um vietnamita, iraquiano ou afegão? O que pensa um líbio sujeito a ser atingido por um míssil atirado pela OTAN sobre a população civil de seu país, como denunciou o núncio apostólico em Trípoli?

    Anders é um típico escandinavo. Tem a aparência de príncipe. E alma de viking. É o que a mídia e a educação deveriam se perguntar: o que estamos incutindo na cabeça das pessoas? Ambições ou valores? Preconceitos ou princípios? Egocentrismo ou ética?

    O ser humano é a alma que carrega. Amy Winehouse tinha apenas 27 anos, sucesso mundial como compositora e intérprete, e uma fortuna incalculável. Nada disso a fez uma mulher feliz. O que não encontrou em si ela buscou nas drogas e no álcool. Morreu prematuramente, solitária, em casa.

    O que esperar de uma sociedade em que, entre cada 10 filmes, 8 exaltam a violência; o pai abraça o filho em público e os dois são agredidos como homossexuais; o motorista de um Porsche se choca a 150km por hora com uma jovem advogada que perece no acidente e ele continua solto; o político fica indignado com o bandido que assaltou a filha dele e, no entanto, mete a mão no dinheiro público e ainda estranha ao ser demitido?

    Enquanto a diferença gerar divergência permaneceremos na pré-história do projeto civilizatório verdadeiramente humano.

    ESTE BLOG TEM LADO. FICA À ESQUERDA.



    Escrito por walmir às 14h32
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    MASSACRE DA NORUEGA FOI CAUSADO POR VIDEOJOGO VIOLENTO

    A culpa pelo massacre na Noruega é dos videojogos e, por isso a maior revendedora deles os retirou das prateleiras em todo o país. Trata-se de ação  harmônica com a indignação geral pelo acontecido.

    Entendo a jogada de marketing, mas ela é inútil e demagógica. Entra na conta do vamos fazer alguma coisa para esconder que não estamos fazendo nada.

    Acredito que nada foi feito quando o assassino Breivik explicou na internet, as suas motivações políticas e religiosas e, mais ainda, que nada se faz em relação a outros manifestos assemelhados. Agora mesmo a câmara de vereadores de São Paulo instituiu o “Dia do Heterossexual”. Logo em São Paulo onde há uma avenida própria para estropiar gays.

    Mas, como todos sabemos, a intensificação e banalização da violência é culpa dos videojogos violentos, começou com eles e terá fim no dia em que todos forem banidos. Sabemos também que o assassino jamais teria massacrado os jovens se não jogasse Horror and Shock.

    O máximo que um videojogo faz é colar o rabo dos meninos na cadeira do computador impedindo que eles brinquem em outros lugares. Porque deixar de estudar eles deixavam muito antes da internet.

    Enquanto isso os fundamentalistas americanos impõem um corte brutal de despesas públicas que penalizam os pobres e impedem aumento de impostos para os ricos que geraram a crise onde hoje estão mergulhados.

    Enquanto isso os argumentos racistas e xenófobos são tomados como aceitáveis por boa parte dos europeus, por brasileiros também, por muitos norte-americanos. E quando ocorre um massacre, existe sempre a saída fácil de culpar o Horror and Shock.

    Devemos esquecer a autocrítica: a culpa é dos videojogos, como propõe Marcos Santos no Blog Bitaites, propondo que o processo de reabilitação de Anders Breivik seja feito com sessões de cinema intensivas: 21 comédias românticas de Hollywood por semana, dois filmes da Disney por dia e 4500 canções de amor por mês.

    E Marcos completa: Só com o banimento dos videojogos será possível reverter sua influência nefasta na mente do assassino Breivik. Com tratamento à base de música e comédia romântica aquela pobre vítima do Horror and Shock se transformará num cidadão modelo, cheio de vontade de beijar e abraçar toda a gente que reencontrar – incluindo muçulmanos e os «traidores» que consideram que uma sociedade multicultural é sempre uma sociedade mais rica ou, se quiserem, mais «jazzística».




    Escrito por walmir às 13h23
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    O MERCADO PEDE MAIS SANGUE

    O mercado pede mais sangue

    Por CLÓVIS ROSSI

    http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/953335-o-mercado-pede-mais-sangue.shtml

    Terminou o primeiro e mais trepidante capítulo da crise da dívida norte-americana, com a aprovação esta terça-feira, pelo Senado, da elevação do teto da dívida. Sem isso, o 2 de agosto seria o apocalipse devido ao calote inédito da maior potência econômica do planeta.

    Reina, então, a calma nos mercados? Nem pensar. A crise volta a atravessar o oceano e a ameaçar outra vez a Europa. Seria até monótono, não fossem os riscos tremendos que traz para toda a economia mundial essa infinita sede de sangue do mercado.

    Que é sede de sangue, é fácil de demonstrar: os alvos preferenciais da especulação voltaram a ser Espanha e Itália. Deixo a Itália de lado por hoje e me concentro na Espanha.
    Acompanhe a evolução:

    1 - O presidente do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, que adotava uma política pró-mercado mas com moderado verniz social, promoveu uma brutal guinada no ano passado, sob pressão dos mercados.

    Adotou um tremendo pacote de ajuste fiscal, que reduzirá o gasto do governo até 2014 no equivalente a 5,3% do PIB. Se fosse no Brasil, equivaleria a um corte de R$ 147 bilhões.

    2 - Consequência inescapável da crise e da mudança de rota: Zapatero perdeu completamente a capacidade de governar. Acabou anunciando sua renúncia a uma nova reeleição, entregou a liderança do partido a seu vice, Allfredo Pérez Rubalcaba, e ainda antecipou a eleição de março de 2012 para 20 de novembro deste ano.

    3 - Nos três meses que faltam, dá para fazer alguma coisa mais para acalmar os mercados? É evidente que não. Qualquer nova política depende, em tese, de quem for eleito em novembro, muito provavelmente o líder da oposição, Mariano Rajoy.

    Mas os mercados não respeitam os tempos da política, necessariamente mais lentos. Atacam dia após a dia e vão sitiando governo após governo.

    Não é à toa que o historiador britânico Niall Ferguson escreveu, tempos atrás, que a austeridade vem sendo "uma máquina de matar governos".

    Barack Obama foi a mais recente vítima. Cedeu praticamente tudo ao fanatismo Estado-fóbico do Tea Party. Dá até pena do presidente norte-americano quando ele insiste, como o fez no seu pronunciamento desta terça-feira, após o voto no Senado, em incluir no ajuste fiscal o que é de puro bom senso.

    Disse Obama: "Necessitamos um enfoque equilibrado (...) o que significa também [além de cortar gastos] reformar nosso código fiscal para que os americanos mais ricos e as maiores corporações paguem sua justa parte. E significa livrar-se de subsídios às companhias de gás e petróleo e tapar buracos que ajudam bilionários a pagar menos do que professores e enfermeiras".

    É um ponto de vista radical ou meramente racional, de puro sentido comum? Para os fanáticos do Tea Party, é radicalismo, como deixou claro para o "New York Times" Jenny Beth Martin, coordenadora nacional do "Tea Party Patriots", um desses grupos fundamentalistas que se inseriram na política norte-americana:

    "A maioria do povo americano está do lado dos Tea Party Patriots, quando dizemos a nosso governo que pare de gastar demais. Isso faz dos Tea Party Patriots a corrente principal e responsável, e coloca os gastadores irresponsáveis em Washington na franja radical".

    Para entender o non-sense desse fundamentalismo, basta ler a análise de Sebastian Mallaby, diretor do Centro para Estudos Geoeconômicos do Council on Foreign Relations, o principal centro de pesquisas político-econômicas dos EUA:

    "A recuperação econômica atual é extremamente frágil. Lares endividados não estão inclinados a gastar. Como resultado, o gasto do governo é, lamentavelmente, um necessário instrumento de crescimento".

    Pena que os mercados, nos Estados Unidos como na Europa, desprezem o mais elementar sentido comum e cobrem mais sangue.

     



    Escrito por walmir às 01h31
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    * PIOR SALÁRIO DO BRASIL

    por Luiz Carlos Azenha

    Depois de uma campanha midiática em que o governador Antonio Anastasia sugeriu que os professores em greve estavam mentindo sobre os salários pagos a eles pelo governo de Minas Gerais, os profissionais de Educação do estado decidiram publicar os contracheques e encaminhar um kit-salário para os jornais e outros meios de comunicação do estado.

    Conversei com Beatriz Silva Cerqueira, a Bia, do Sindicato Único dos Trabalhadores de Educação em Minas Gerais, o SINDUTE. E, pelo que ela contou, existe um tremendo esqueleto no armário do atual senador e provável candidato ao Planalto, Aécio Neves, esqueleto agora administrado por Anastasia: o choque de gestão.

    Mas, antes do esqueleto, a greve: a paralisação atinge, por decisão da Justiça, apenas 50% dos 380 mil trabalhadores em educação de Minas, em todas as regiões do estado.  Ela foi deflagrada, como a greve de Santa Catarina (onde os professores acreditam ter obtido uma importante vitória política), para garantir a implementação do Piso Salarial do Magistério, que é federal e foi considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal em abril deste ano (valor atual de R$ 1.187,00).

    Hoje, em Minas, o professor que tem ensino médio ganha R$ 369,00 mensais de salário inicial; o professor com licenciatura plena, R$ 550,00.

    Segundo Bia Cerqueira, este ano o governo Anastasia, a partir de uma lei estadual, decidiu aglutinar todas as parcelas que compõem o contracheque dos servidores em um subsídio, que os professores rejeitam considerar como piso salarial, mas sim o total da remuneração.

    A adoção do subsídio, segundo Bia, provoca — entre outras coisas — o nivelamento da categoria entre os professores que tem 20 anos de carreira e os que estão começando agora. Uma situação parecida aconteceu em Santa Catarina.

    A greve é por um piso salarial de R$ 1.597,00 para os professores de nível médio com jornada de 24 horas.

    Bia Cerqueira diz que a política salarial de Minas Gerais em relação aos professores é de “controle” da remuneração, o que seria um dos princípios do “choque de gestão”, que começou a ser implantado pelo ex-governador Aécio Neves. “Você pode demorar 8 anos para começar a receber por uma pós-graduação que tenha feito, você pode demorar de 20 a 25 anos para receber por um mestrado”, ela exemplifica.

    “O governo controla a remuneração [dos servidores] para que possa investir em outras áreas que dão retorno melhor para ele”, disse ela, provavelmente se referindo a retorno eleitoral.

    Bia inicialmente não entendeu a minha piada: o choque de gestão, disse eu, teria sido de 220 volts, bem na veia do professorado!

    Aliás, ela acredita que o tal choque fracassou redondamente. Três exemplos:

    * Faltam 1,5 milhão de vagas no ensino básico em Minas Gerais;

    * A média de escolaridade do mineiro é de 7,2 anos;

    * No vale do Jequitinhonha, a média de escolaridade é de apenas 6,2 anos.

    Além disso, o programa que é orgulho do atual governador, Antonio Anastasia, o Professor da Família, para dar apoio a alunos do ensino médio, é bastante precário.

    * Por enquanto, atinge 9 dos 853 municípios de Minas Gerais, ou apenas 22 das 4 mil (eu disse quatro mil) escolas;

    * Os professores contratados para implementar o programa, que visa dar aulas de reforço para alunos do ensino médio, têm formação de ensino médio, o que contraria a Lei de Diretrizes Básicas da Educação Nacional, que exige licenciatura plena.

    “Os projetos não correspondem à realidade do estado de Minas Gerais”, diz ela.

    Duas grandes dificuldades enfrentadas neste momento pelos grevistas: boicote ativo ou desprezo da mídia local e a postura do Poder Judiciário de Minas Gerais que, segundo a Bia, nunca decide em favor dos educadores.



    Escrito por walmir às 01h08
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