A NEUTRALITDADE JORNALÍSTICA
O Jânio de Freitas fala do ativismo político da mídia, da isonomia e da neutralidade do noticiário. E clama por um Conselho para arbitrar o tema. Mano, são apenas negócios. A grande mídia é negócio caro. E mídia o que é? Informação. Mas informação começou chegar de graça às pessoas. Tomo por mim: faz muito tempo que não compro um jornal de papel, uma revista. Olho nas bancas os tristes fardos - antes tão cobiçados - com um pouco de nostalgia e até culpa. Pequenos anúncios - grande fonte de receitas antigamente - são melhores na internet do que no papel. Anúncios de shows, teatro, eventos, lançamentos encontraram a rede. E nela se expandiram. Inúmeras empresas vendem, compram, anunciam, contratam, pesquisam e se comunicam 24 horas/dia com seu público através da internet. Todas as grandes empresas utilizam-se dela fortemente. O fato determinante é o seguinte: não se pode mais cobrar por informação. Diante disso, a grande mídia foi obrigada a colocar suas matérias na rede gratuitamente. O que ela tinha para vender não pode mais ser vendido. Então, como ganhar dinheiro com ela? Responde-se: negóciando o próprio caráter da informação. Alguém, por exemplo, pagou de alguma forma por "Dilma x Lina Vieira". Vende-se a notícia instrumentalizada, sua ênfase, sua repetição. Informações são repetidas como anúncios. "Tratamento igualitário" é tolice. Receberá melhor tratamento quem pagar melhor. "Tratamento igualitário a empresas, negócios? Terá boas referências, matérias simpáticas, melhores e mais repetidas quem mais pagar. Não é possível nesse nosso tempo mais nenhuma neutralidade na grande mídia - antes havia certa tentativa. Bobagens estas súplicas por ética jornalística, tratamento igualitário a candidatos por exemplo. Não adianta legislar sobre isso. É ridículo, até. São apenas negócios. Aconteceu como consequência: a informação gratuita acossou a informação paga. Quando não se pode cobrar pela informação, tem-se que cobrar pelo seu caráter. E há milhões de pessoas escrevendo de graça na rede, informando, criticando, debatendo. Como a grande mídia está reagindo? Vendendo informação não para os seus leitores, mas para os que pagam por ela. Ela negocia com seus clientes a partir do número estimado de seus leitores.
E esta nova "função" que tinha poucos críticos passou a ser debatida, criticada. É que com o desenvolvimento da internet surgiu uma nova classe de jornalistas informadores: Os que escrevem de graça na rede, "jornalistas de uma livre atividade de informação". E muitos desses "jornalistas não pagos" são melhores em estilo e profundidade do que os jornalistas pagos. Têm redes de leitores e seguidores mais fiéis e mais qualificadas que jornalistas e jornais pagos. Hoje, o que a grande mídia está buscando são outros meios de ganhar dinheiro com informação. Para isso está moldando a informação a gosto do cliente. Aproxima-se do que antes se chamava "matéria paga".
Os jornalistas não pagos criticam este modo de ganhar dinheiro com a informação, e o mesmo acontece com algumas vozes isoladas dentro da grande mídia.
Lamentam a falta de neutralidade. Não terá consequências esse lamento. Seria como lamentar o desejo humano de lucrar, ganhar dinheiro. A grande mídia continuará vendendo não mais a informação, mas o caráter de informação.
Já a informação revirada e dissecada está vindo e virá, cada vez mais, dos "jornalistas não pagos da rede". Eles (nós), por seu lado, também tratam a informação a seu modo, instrumentalizam. Mas eles são o que são. Têm (temos) a tendência de seu gosto, cultura e ideologia. Mas não ganham (ganhamos) dinheiro com isso. Fazem (fazemos) porque são cidadãos se expressando e compartilhando opiniões. Não estão (estamos) amarrados à hipocrisia das neutralidades. Não somos neutros.
Escrito por walmir às 12h43
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