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    ENSINO

    Escrevi artigo sobre superlotação de salas de aula em 10/06/2007 e mandei para deputados estaduais, federais, senadores, para a Secretaria de Educação mineira e para o MEC. (Fazia isto desde muito anos, azucrinando parlamentares e secretários de educação com cartas e e-mails.)

    Mandei como forma de protesto, não esperei resposta ou providências.

    Agora, boa surpresa: A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou dia 03/09/2009 proposta que limita o número de alunos por professor nas salas do ensino infantil, básico e fundamental.

    Fica assim: Ensino médio e 6º ao 9º ano do fundamental: máximo de  35 alunos. Cinco primeiros cinco anos do fundamental:  25 alunos. Nas cresches:  cinco crianças de até 1 ano por professor; oito de 1 a 2 anos; 13 de 2 a 3 anos; e 15 de 3 a 4 anos. Para crianças de 4 a 5 anos, o limite é de 25 alunos.

    Aprovada em caráter terminativo na comissão, a proposta vai agora para o Senado.

    Tem uns cabras dizendo que é inconstitucional, pois vai aumentar despesas e a lei não diz de onde virão os recursos.

    Imagino de onde vem a choradeira: do lobby das particulares que desejam ensino público ruim.

    Imaginem se fosse igual ao que eu sugeri e acontecia nas escolas brasileiras nos anos 1960: máximo de 20 alunos por classe?

    Vejam o que escrevi em 2007:

    Ensino II

    1956 a 1959 – Escola Pública, interior de Minas Gerais.

    Durante todo o curso primário minha turma nunca teve mais que dezoito alunos.

    A professora conhecia todos pelo nome e sobrenome, conhecia pai, mãe, irmãos, avós a família inteira. Sabia das preferência e do jeitão de cada um de nós. Quando algum ficava doente ela ia em casa visitar, mandava bilhetes, exigia respostas.

    E todos se conheciam entre si e davam conta uns dos outros: funcionários, professores, alunos, familiares.

    Dezesseis turmas de primeira a quarta séries e duas turmas do Admissão, curso de um ano para aqueles que iam fazer o Ginásio. Assim, a população da escola inteira não chegava a trezentos e cinqüenta viventes.

    Hoje, uma escola igual àquela tem mil e duzentos alunos, no mínimo.

    Crianças não toleram anonimato. Querem se movimentar, falar, precisam ser vistas, ouvidas. Com cinqüenta crianças numa sala a professora conhece apenas os que se destacam: os ótimos e os péssimos! Minoria absolutíssima. A maioria da classe habita o limbo da lista de chamada. Embora a Igreja tenha acabado com o Limbo, ele continua existindo entre o céu e o inferno das professoras.

    Aí dizem: temos que formar melhor os professores, reciclar, pagar bem a eles.

    Pode colocar a professora mais bem formada, mais reciclada, mais bem paga, numa sala povoada de cinqüenta crianças que ela passará metade do tempo tentando impor um mínimo de ordem. Ou então se transformará em animadora de classe, em mestra-Xuxa fazendo jogos e brincadeiras.

    Os escolões, os colejões são instituições agressivas. Neles, poucos se conhecem. Alunos, funcionários e professores sujeitam-se ao anonimato, ao vodu escolar, ao ostracismo.

    Deviam reciclar as escolas: Nenhuma classe pode ter mais que vinte alunos! Pronto. Tenho certeza de que os alunos voltariam a gostar da escola tal como me lembro de gostar.

    E aprendi muito. Quando terminei a quarta série, sabia ler, escrever e fazer contas tanto quanto hoje. Melhor do que muitos alunos meus na universidade.

    Especula-se que a culpa é da violência, da TV, da internet, do celular, da ausência dos pais, e que antigamente não havia nada disso. Só fala essa bobagem quem nunca nadou em rio, ficava fissurado no futebol, na fabulosa várzea de mil campeonatos, no pique esconde, nas rodas, nos quintais, no carteado, na dama e xadrez, nos pássaros e na pesca, nas pipas, nas horas dançantes e em tanta coisa inventada que nem dá pra lembrar. E pais trabalham fora desde sempre.

    A culpa, rapaz, é dos escolões, das classes abarrotadas, esta é que é a verdade, esta que é a violência.

    E por que não diminuem de modo radical o número de alunos por classe? "Não há dinheiro", responde o Fernando Pimentel, prefeito de BH, repetindo o Fernando Haddad, ministro da educação. São bons administradores, políticos jovens, trabalhadores, que não ficam correndo atrás de holofotes, e estão fazendo um serviço bom.

    Mas olha, Fernandos, vou contar uma coisa: quando eu era criança o Brasil era muito mais pobre e havia dinheiro.

    Hoje não tem por quê?

    Eu sei que não vão responder, mas deveriam.

    PS: o projeto de lei original é do deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). Se esta lei for promulgada e entrar em vigor,  o Leonardo Quintão terá feito mais pela educação do que todos os políticos e instituições já fizeram até hoje no Brasil.

    Ironia: Leonardo Quintão foi derrotado à prefeitura de Belo Horizonte e naquelas eleições - chegou a ameaçar a coligação PT/PSDB - nenhum candidato foi tão ridicularizado feito ele. Até Tom Cavalcanti gravou espinafração no You Tube.



    Escrito por walmir às 11h51
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    CAETANO D+

    http://www.youtube.com/watch?v=RTfhWgGRTTs



    Escrito por walmir às 09h58
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