QUEM MERECE TER UM BLOG?
QUEM MERECE TER UM BLOG?
A presidência da república criou um blog: http://blog.planalto.gov.br/ Dizem que é o Blog do Lula. Mas nem blog é. O que caracteriza um blog é a interatividade. O titular deixa lá suas escritas e os leitores comentam. Pois bem, no blog do Lula não há como deixar comentários e não é ele mesmo quem escreve. Por conta disso recebe muitas críticas, inclusive esta. Blog que não aceita comentários devia se chamar Púlpito. De cima dele o padre prega, sermoa, aconselha, abençoa e ninguém diz nada. Os portais podiam fazer esta distinção. Quem não quiser comentários faz um Púlpito ao invés de um Blog. Pode se expressar à vontade sem ninguém para aporrinhar-lhe a paciência, mas não se chame blogueiro. Isto não quer dizer que os blogs são exemplos de democracia. Há blogs muito cabulosos, blogs censores. Exemplo, o jornalista Ricardo Noblat: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/ Este blog aceita comentários, mas só publica aqueles que concordam com a opinião dele. É um blog “Sim, senhor”. Censura o contraditório. Eu, por exemplo, estou censurado lá. Censura acontece em muitos outros blogs. Acontece no Josias (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/ ), no Alon (http://www.blogdoalon.com.br/ ). Cito estes como exemplos, pois são jornalistas que nos próprios posts dizem-se defensores da liberdade de expressão. Mas Ricardo Noblat, Josias de Souza, Alon não são blogueiros de verdade, não merecem esta denominação. Deveriam estar num Púlpito onde não seriam contrariados em suas opiniões. Não estou dizendo que o blogueiro deve aceitar todos os comentários. Infâmias, xingatórios, agressões, palavrões, ofender mãe, calúnias devem ser mesmo destinados ao lixo. Mas o contraditório deve ser aceito. É a lei máxima não expressa da blogsfera: a Lei do Contraditório, ou a Democracia na Expressão. Os que não agem de acordo com ela deveriam ir para o Púlpito. Miriam Leitão (http://oglobo.globo.com/economia/miriam/ )tem muitos posts criticados, mas não censura nenhuma das críticas. Aceita ironias, fortes contraditórios e publica todos. Eu não concordo com a maioria dos artigos que ela publica, mas ela nunca censurou nenhum dos meus comentários. Miriam é um exemplo de blogueira que expõe o que pensa e aceita o contraditório. Miriam é blogueira de verdade. Merece ser blogueira. Agora o presidente do meu time – Cruzeirão véio de guerra – o negociante Zezé Perrela, criou o seu blog: http://www.dzai.com.br/1921/blog/zezeperrella Todos os comentários que o parabenizam, elogiam sua opinião ou concordam com ela são publicados. É mais um Blog “Sim, Senhor” ou Blog “Parabéns”. Os contraditórios são censurados. Zezé Perrela foi deputado pelo PFL, tem pedigree daqueles que apoiaram a censura durante a ditadura – a pestilenta Arena, depois PDS, depois PFL, agora DEM - não é blogueiro. Não respeita a lei da blogsfera, deveria ir para o Púlpito.
Escrito por walmir às 12h00
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ARREPENDIMENTOS
ARREPENDIMENTOS . Toda criança tem energia sobrando, né? Quando fica muito quieta, vai saber, ta doente. Do corpo ou da alma.
“Esse menino tem parte com o capeta!”, desesperava-se minha tia Lurdinha, coitada, quando me pegava pulando da ponte sobre o rio Paraopeba nas águas crescidas da enchente das Goiabas. . Na escola levava cocão, puxão de orelhas, varada nas pernas. Quase todos levavam, tirante umas garotas e o Bené, rapaz mais velho e quieto, que morava na roça, era preto e muito tímido. Depois dona Neusa, a professora, contava pro meu pai e ele dizia: “Pode bater, na escola a senhora é a mãe dele.” Chegava em casa e ainda levava uns tapas. . Com tudo isso, fui um dos melhores alunos, orador da turma, e lembro com um misto de riso e saudades das travessuras, das reprimendas, de dona Neusa. . Só me arrependo de ter subido na mangueira que havia no portão do Grupo Escolar e mijado na professora substituta, dona Maria Helena, moça bonita, que ensinava história e dizia Telemacho. Era o grego Telêmaco, mas como a grafia vinha “Thelemacho” ela se atrapalhava. . No dia seguinte meu pai me levou à escola, arrastado pela orelha esquerda, meio que pendurado, andando na ponta dos pés, com as pernas marcadas de vergões de tanta varada que mãe teve de banhar depois com água e sal. . O coração me aperta quando imagino, hoje, a humilhação que deve ter sido pra ela. Nunca me disse uma palavra depois daquilo. Não me bateu, não deu parte à diretora, não reclamou quando a meninada ria às escondidas. Isso acabou comigo. Quando a encontrava , me encolhia, queria ficar invisível. Coragem pra me desculpar, nunca tive. . Virei outro, não totalmente, mas tomei por hábito avaliar meus atos antes de executá-los. Dei de ser menos aparecido. . Na formatura, nosso paraninfo foi o professor Antônio Lara, pai do Otto Lara Rezende que, após a solenidade me chamou de banda e me entregou um livrinho: “O Caçador sem Medo”, uma adaptação para crianças do Guilherme Tell, de Schiller. . Dentro havia uma dedicatória de dona Maria Helena me desejando sucesso na vida. . Olhei amedrontado a ver se ela estava presente. .. Não estava.
Escrito por walmir às 18h30
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FUTEBOLÊS
FUTEBOLÊS
Rapaz, os lugares-comuns do futebol, calcados em metáforas guerreiras, médicas e policiais de narradores e jornalistas merecem estudo por parte dos comediantes. Há caçadas, explosões, bombas, roubos, almas e corações dentro da fantasia dos locutores e cronistas. Vê só: - Prepare o seu coração. (Com quê? Salsinha, coentro, cebolinha, bacon?)
- O tanque invadiu a grande área. (Tanque de guerra ou barriga de tanquinho?)
- Meteu de rosca no meio do gol. (Meter não fica bem no campo de jogo, vira em atentado violento ao pudor.)
- Meteu de três dedos. (Aí piorou.)
- Fez tudo certo, mas bola não quis entrar. (Como se a bola tivesse vontade própria.)
- Enfiou nas costas do zagueiro. (Em que lugar das costas mesmo?)
- Deu uma caneta, um lençol, um chapéu. (Por que não dá logo um dinheiro?)
- A torcida vai ao delírio. (LSD na galera?)
- O gladiador, o matador. (Corram cristãos.)
- Ladrão de bolas (Coisa de cabra sem o que fazer.)
- Escondeu a bola. (Pra roubar depois?)
- Comeu a bola. (Depois de roubar?)
- Um leão em campo. (Querem mesmo acabar com os cristãos.)
- Caçou o adversário. (O leão?)
- Matou a jogada. (Antes ou depois de comer a bola?)
- Avançou, apontou, atirou. (Treino do Bope.)
- Fuzilou. (Capitão Nascimento?)
- Soltou um canhão, um verdadeiro míssil. (Aí já é com o Exterminador do Futuro.)
- O goleiro operou milagre. (Pastor da Universal.)
- Uma bomba na trave. (Taliban.)
- Duelo alucinante. (LSD x crack)
- Uma entrada criminosa. (Comprou e não pagou a entrada?)
- Falta escandalosa. (Falta escandalosa é tipo "falta de puteiro", o contrário de "falta familiar", bem comportada, ou é a que deixa o adversário nu gritando “mamãe sou gay”?)
- Não costumo comentar arbitragem, mas... (Se costumasse então, hein professor?)
- A bola explodiu na trave. (Terrorismo.)
- Enfiou a bola no buraco. (De quem?)
- Um frango espetacular. (Frango de parada gay?)
- Toma, fulano, faz o gol. (Por que ele mesmo não faz?)
- Um gol de placa. (Amarrou uma placa no pé antes de chutar?)
- O torcedor está com a alma lavada. (Batizado?)
- A bola arrancou uma lasca na trave. (É bola, piranha ou moto-serra?)
- Tirou tinta na trave. (Vai pintar de novo?)
- Foi mais cedo pra o chuveiro. (Quem se interessa pela higiene pessoal do jogador?)
E, por fim, “Agüenta coração.” Não é coisa de comediantes? Os locutores conseguem falar diretamente para um órgão do corpo humano. Ainda bem que escolheram o coração. Escolhessem um outro, começado também por "c", ficaria horrível. Quem puder mande mais lugares-comuns de locutores esportivos. Eu publico.
Escrito por walmir às 18h36
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