O seguinte: Nenhum dos países importantes do mundo acredita no aquecimento global. Nem Lula, nem Obama, nem o Ching, nem o Boris, nem a Frida, ninguém acredita. Nem os banqueiros, nem os investidores, nem os empresários.
Se acreditassem que o aquecimento viria como acreditaram na crise financeira 2008/09 chegariam a amplíssimo acordo.
No mundo inteiro, inclusive no Brasil, hoje são lidos mais livros de não-ficção do que de ficção. Ou seja, há mais exemplares e títulos de biografias, ensaios, reportagens, história, autoajuda, didáticos, científicos e outros do que de romances e contos. Mesmo com sucessos como os da série Crepúsculo, histórias românticas de vampiros adolescentes escritas por Stephenie Meyer, o predomínio já não é da novelística. Houve um tempo, como se sabe, em que a narrativa ficcional ocupava o centro da cultura, era a espinha e medula da troca de valores e costumes. No século 19, por exemplo, o grande romance, que mesclava panorama histórico e análise psicológica, como em Tolstoi, Balzac ou George Eliot, dava a medida de uma civilização. Hoje, não mais. Curiosamente, tal mudança não se restringe ao mundo literário. É claro que há mais filmes de ficção, por exemplo, mas o número de documentários no cinema e na TV só tem aumentado (e influenciado até mesmo filmes não documentais). Nas salas brasileiras, um quarto dos filmes em cartaz pertence ao gênero.
O que explica isso? Num arco de tempo mais curto, pode-se pensar que há relação com um mundo cada vez mais globalizado, de notícias que correm na velocidade da luz (ou das trevas), e fatos como os atentados de 11 de setembro de 2001 provocam nas pessoas uma necessidade de entender melhor a realidade que as afeta de modos tão imprevisíveis. Indo um pouco mais atrás, pode-se atribuir a perda de importância da ficção à explosão de outros meios e linguagens, à concorrência de formatos audiovisuais, internet, novas tecnologias etc., que, além de consumir tempo e dividir atenção, têm uma eloquência mais direta; não exigem o grau de concentração que os clássicos exigem. E, num recuo ainda maior, até a virada para o século XX, a ficção tem enfrentado também a ascensão de uma série de disciplinas antes vagas, sem método nem consistência, e que hoje usam e abusam de ferramentas como a estatística – a exemplo da sociologia, da psicologia e da economia.
Eu arrisco outra hipótese adicional, que tem a ver com os rumos tomados pela própria ficção. Talvez porque pressionados por essa multiplicação das fontes de conhecimento e entretenimento, os romances abandonaram parcialmente aquilo que mais os distinguia até a geração modernista de Proust, Mann, Joyce e Kafka: a força dos personagens. Pense em qualquer grande obra literária e pensará num(a) protagonista, não raro citado(a) já no título: Hamlet, Anna Karenina, Bovary, Fausto, Dom Quixote, Pai Goriot, Dom Casmurro... Mas depois dos anos 30 parece que a ficção optou pela metalinguagem, pelo chororô do autor, ou então pelas crônicas policiais ou fantásticas que são lidas para diversão no verão, quando queremos escapar da chatice da rotina. E ainda não querem perder a “briga” para as biografias de figuras históricas e complexas? Mesmo assim, confesso minha nostalgia pelos grandes romances, com seus personagens fortes e suas ambições estéticas. Romances medianos podem facilmente ser substituídos por histórias reais. Obras-primas, não.
A morte fez sua vasta colheita anual, aleatoriamente.
Os humanos selecionaram um time de defuntos mais célebres, dando-lhes boa divulgação no encerramento de suas atividades.
O time ficou assim: O goleiro alemão que se matou, Celso Pita, Clodovil, Ségio Naya e Michael Jackson. No meio de campo Carlos Alberto Direito, o líder da Ong AfroReggae, Lombardi e o ator Patrick Swayze. Na frente a atriz Leila Lopes e o pensador Lévi Strauss.
Os grandes acidentes encerraram a labuta terrena de milhares de viventes mediante desastres aéreos dos quais o do Airbus da França foi o mais célebre, mediante desabamentos de vigas, inclusive de igrejas e shopping em SP, mediante rompimento de barragem e abertura de crateras.
Atiradores massacraram em lares, escolas, bases militares, fizeram tiro-ao-alvo em helicópteros e mereceram muitas manchetes.
Terremotos deram cabo de uns tantos na Itália, tsunamis mataram no Pacífico Sul que é bem agitado, e chuvas no norte, nordeste, sul e sudeste do Brasil, completaram o serviço.
A gripe suína foi bem cotada a princípio, mas matou menos do que se esperava e, por isso, desapareceu do noticiário.
Soldados americanos e israelenses tiveram atuações discretas, o que é incomum, ficando em segundo plano ante as bombas e os homens-bombas.
Assassinatos foram aos milhares – arrisco até milhões. Sua participação no espetáculo, no entanto, banalizou-se. Não agitam mais as mentes e corações, exceto quando envolvem figuras importantes.
O trânsito colheu sua excelente cota e continua em franco crescimento.
Suicídios, ainda que pouco divulgados, deram ótima contribuição.
A fome, como sempre, teve atuação extraordinária, embora pouco reconhecida pela mídia e pelos críticos em geral o que é uma injustiça.
As drogas cresceram sua participação com boa mortalidade e espera-se que em 2010 melhorem ainda mais seu desempenho.
O restante ficou por conta de acidentes domésticos, de doenças conhecidas e desconhecidas e, por fim, da velhice, à qual ninguém dá muita importância.
O jornal madrilenho Marca, publicou foto do lateral direito Jonathan do Cruzeiro, eleito o melhor do Brasileirão.
Jonathan é diferente dos laterais brasileiros em geral. Sabe atacar, mas é lateral. Defensor.
Assemelha-se, neste sentido, ao Maicon da Inter de Milão, e aos laterais europeus.
Tem boa técnica, é forte, e aprimorou o sentido defensivo sob o comando de Adilson Batista.
Também faz gols.
A matéria dizia apenas que com a contusão do zagueiro Pepe – a quem chamam de melhor do mundo – o Madri iria contratar um lateral.
A manchete: “El recambio del mejor central del mundo será... um lateral.”
Afora o exagero de considerar Pepe melhor do mundo, especulam que o time pode se virar deslocando Sérgio Ramos para a zaga. Ou Arbeloa. Que Marcelo, aquele que jogou no Fluminense, “Defensivamente no ofrece garantías por su falta de rigor táctico, compensado muchas veces por su velocidad”. Falam sem entusiasmo de um outro, Lass, que jogou com o Mourinho no Chelsea.
Alguns comentários sobre Felipes.
Nem uma palavra sobre Jonatham.
Só a intrigante foto dele estampada no jornal.
É como se afirmassem de fonte clara: este é o jogador que será contratado.
Para a disputa regional será bom. Os cruzeirenses vinham se desinteressando da disputa contra o Atlético. Pouco importava o jogo, já que sempre venciam.
Para Luxemburgo será oportunidade de voltar à tona como técnico, pois seus últimos trabalhos fracassaram. Cinco anos sem um título nacional é muito para um técnico de primeira linha.
A disputa entre a estrela ascendente de Adilson Batista e a cambiante de Wanderley vai criar boa polêmica.
É maldade terrível o que estão fazendo com o governador Arruda, do DEM, manchando a reputação dele com esse tanto de vídeo exibido na TV e na internet.
Qual o problema dele receber um dinheiro da mão de outro?
Você não ia receber? Claro que ia.
Um cabra chega na sua frente e te dá 50 mil. De bandeja. Você fala que não quer? Que não é certo? Fala nada.
Você pode ser padre, pastor, educador, jogador de futebol, jornalista, empresário, branco, preto, índio, que pega e ainda reza pela alma boa do doador.
Acha que é qualquer hora que chega um neguinho e bota 50 mil na sua mão?
Vai nessa. É ruim, hein?
É fácil ficar jogando pedra no outro. Detesto isso. Mas olha, pode ter certeza, só joga quem não recebeu o dinheiro. Se recebesse, ficava caladinho. É inveja. Inveja é uma desgraça.
Depois fica todo mundo com cara de besta porque não vai ter prova e o STF não vai condenar o homem.
STF é o Supremo Tribunal Federal, o maior de todos, onde quem julga é muito fera.
Pois o STF até hoje, nunca condenou nenhuma autoridade, uns até mais café pequeno, vai condenar logo ele que é governador eleito? Vai é nada.
Então por que manchar assim a reputação dele? Fazer essa maldade toda?
O STF considera tanta maldade que 50% dos processos eles nem julgam, deixam pra lá. É levantamento da Associação dos Magistrados Brasileiros, pode conferir. Eles já sabem que é tudo maldade e inveja por isso que nem julgam.
Já ouviu falar daquele juiz Marlon Reis que anda com um projeto chamado Ficha Limpa onde só camarada sem processo é que pode ser candidato? É um homem honesto, de boas intenções. Pois ele mesmo falou na entrevista que receber dinheiro vivo não é prova de nada. Que pra ser prova o governador tinha que falar na gravação que o dinheiro seria usado para subornar alguém.
Tá vendo?
A coisa não é assim, dois mais dois igual a quatro. Não é, não. Um sujeito tem que admitir que é ladrão pra ser condenado, não é na “doidêra”, ir xingando, botando vídeo, distribuindo panetone que condena. Não condena mesmo.
Você pode até ver o camarada batendo a carteira do outro que não pode condenar. Vai que o outro bateu a carteira dele e ele só estava tomando de volta? É ou não é. É nessa que muito inocente fica prejudicado.
Igual estão tentando agora prejudicar o governador Arruda.
Mas de que é que adianta? O povo é ignorante mesmo e acha que só por conta do cara recebendo um caraminguá que podia ser até pra obra de caridade vai condenar.
Ignorância do povo é a coisa mais péssima. Tem que melhorar muito a escola e a educação pra essa gente enxergar direito o que é certo e o que é errado.
A blogueira Miriam Leitão escreve: “Se, em todas as compras governamentais, um empresário tiver que ir à sala de um Durval Barbosa para acertar o preço da propina, vão proliferar no país os empresários com esta expertise. Todas as outras qualidades da empresa ficarão em segundo plano: a eficiência, o cumprimento dos contratos, o controle dos custos, a boa gerência, os valores corporativos. Nada será relevante, porque a escolha será decidida em favor do competidor que estiver disposto a contribuir mais para o esquema da vez”.
Comentário:
Miriam, não se pode livrar os empresários brasileiros da pecha de corruptos. Eles são corruptos. Eles criam políticos para representá-los, tirar dinheiro do governo, e pagam por isso. Pagam bem. Pagam em troca do que irão receber depois em contratos medonhos, superfaturados. “Fazer” políticos, Elegê-los é negócio central dos empresários brasileiros. É histórico no Brasil. Nossos empresários são assim, desde as capitanias. São os mandantes do crime. E são acobertados desde sempre pelos meios de comunicação que também são deles. O caraminguá que Arruda e a turma dele embolsaram é café pequeno perto do que embolsaram as empresas que pagaram as propinas. Os empresários brasileiros são a nossa máfia.
Com honrosas exceções.
E exceções que ainda não foram flagradas pela polícia.
O mano blogueiro Juca Kfouri escreveu: “Mas não há nada, rigorosamente nada que se possa dizer para diminuir a façanha rubro-negra”.
Há, sim.
O Flamengo não foi campeão, foi levado ao título do Arranjão pela “mano del diablo” dada pelo Corinthians e pela simpatia dos “mimosos” do Grêmio que entraram em campo para ser ferrados.
Times de valor, éticos, entrariam em campo com a força máxima e com o máximo empenho na vitória.
Não foi o que aconteceu.
Corinthians e Grêmio entraram em campo com uma folhinha de arruda nas orelhas para espantar algum mal olhado crítico. Aquelas orelhas ouviram apenas o “entrega, entrega, entrega”.
Entregaram.
Juca, há tudo para se desdenhar a Façanha rubro-negra.